Arte e Viagens

Cultura

Arte e Viagens

Esqueçam os museus e a câmara fotográfica

Por Jéssica Jacinto

Quando a Arte define a rota de viagem

E se a arte for motivo para viajar? A expressão artística por si só já permite a quem a cria e recebe viajar, mas às vezes, o desejo de a trazer para o mundo real pode delinear um roteiro de viagem. Vários foram os artistas que transformaram as suas viagens em quadros ou que de propósito viajaram para captar as cores e texturas de um sítio em particular.

Os locais visitados impulsionam as obras, mas e estas, também podem modelar a paisagem? O caso da conhecida pintura Café Terrace at Night – Vincent Van Gogh – mostra como a arte tem de facto a capacidade de mudar o mundo real. O café retratado pelo pintor durante a sua estadia em Arles, que ainda existe e é um marco para quem visita o sul de França, foi redecorado em 1991 à imagem da conhecida pintura [1]. Visitar os sítios ou recriar as rotas de viagem que inspiraram artistas pode ser uma forma alternativa de viajar.

 

Pincéis e sketchbook para cristalizar as memórias

Nem todos os viajantes têm alma e habilidade de impressionista, mas uma vez que a arte é o guia faz todo o sentido substituir a câmara fotográfica por um sketchbook e pincéis para guardar memórias de viagem. Além disso, as nossas lentes em comparação com as da câmara fotográfica, têm um tempo de exposição maior e necessitam de um click mais prolongado, uma desculpa para absorver melhor os sítios que visitamos e reparar nos pormenores dos mesmos.

Para inspiração há diários de viagem de fazer inveja, tais como os da artista Dina Brodsky e Chandler O’Leary que podem ser visualizados em sites de divulgação de arte como o Colossal [2] ou nos blogues pessoais dos artistas [3].

 

O espaço público é a tela

Viajar para ver arte não é só sinónimo de colocar na lista todos os museus imperdíveis. Existe uma tendência crescente para as cidades incluírem cada vez mais street art dentro dos seus circuitos turísticos. O espaço público substitui os museus convencionais e as ruas, os postes de eletricidade, as estradas, os bancos, as paredes e os espaços abandonados são as telas. Para além de estimular a curiosidade, a street art faz-nos percorrer a pé as cidades, conhecer recantos destas e histórias locais que não vêm nos guias turísticos convencionais. A sua espontaneidade arrojada dá ainda a conhecer a cultura do país e os seus artistas gratuitamente, fugindo ao tédio das filas de espera dos museus.

O viajante pode traçar as suas próprias rotas de street art, recorrendo para isso a ferramentas que estão disponíveis, tais como o projeto Google street art [4], que disponibiliza a localização das várias obras num mapa ou usar aplicações para dispositivos móveis que, para além de funcionarem como agregadores das coleções de obras que desfilam nas ruas, fornecem indicações sobre como chegar até aos locais. [5]

 

Rotas de street art em Portugal

As ruas de Portugal conhecem obras de artistas como Bordalo II [6], que usa materiais em fim de vida para dar vida a animais coloridos que apelam ao desenvolvimento sustentável e à necessidade de gerir os resíduos. No centro histórico da Covilhã habita um dos seus animais, a obra olhos de mocho, em Águeda o Pisco-de-peito-ruivo e em Estarreja o Guarda-rios. [7] Em Aveiro, depois de uma longa viagem de comboio, à saída da estação, Vhils [8] surpreende com uma das suas obras.

Outra opção é conjugar festivais, muitas vezes gratuitos e abertos a todo o público, que promovem a arte urbana com o calendário de viagem. É o caso do festival Aguitágueda [9], que acontece em Águeda, e alia a música à arte de rua. (Esta cidade é um caso muito severo de street art [10]). O festival Walk&Talk [11], nos Açores, conjuga várias formas de expressão artística que resultam num percurso mapeado de instalações artísticas, Circuito de Arte Pública, visitável em São Miguel.

Este formato de percurso pela cidade através da arte está presente também nos festivais Lumina e Aura [12,13] que acontecem, respetivamente, em Cascais e Sintra. Com formato semelhante, mas com a particularidade dos artistas exporem nas suas próprias casas, acontece nas Caldas da Rainha o festival Caldas late night [14]. Um recente festival de arte urbana, ESTAU [15] acontece em Estarreja e realça as várias obras que existem pelas ruas do concelho.


Referências:
[1] http://www.theartstory.org
[2] http://www.thisiscolossal.com/2016/10/inside-the-well-traveled-sketchbooks-of-artist-dina-brodsky/
[3] http://drawntheroadagain.com/
[4] https://streetart.withgoogle.com/pt/
[5] [11] https://shifter.pt
[6] http://www.bordaloii.com/
[7] https://www.visitportugal.com/en/content/street-art-in-portugal
[8] http://vhils.com/
[9] https://www.agitagueda.com/
[10] Shroomlens – Águeda
[11] http://walktalkazores.org/
[12] https://www.lumina.pt/
[13] http://aurafestival.pt
[14] https://www.caldaslatenight.com/
[15] http://www.cm-estarreja.pt

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