Trilho dos Pescadores – Rota Vicentina

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Trilho dos Pescadores – Rota Vicentina

Um caminho com cheiro a Mar

Na vida de um Caminhante acaba por surgir, quase inevitavelmente, uma vontade imensa de partir numa aventura grande.
Isto vem com o tempo, com a segurança que os quilómetros trilhados trazem e com a necessidade de superação que nos é inerente. Mas vem sobretudo da urgência de prolongar o efeito dos trilhos que se vão fazendo, quando é possível, encaixados na vida corrida. Aquele efeito que alinha, que fortalece, que renova e que não se quer abandonar mas que invariavelmente acaba por se desvanecer.

E quando há urgência, mesmo que muita coisa se atravesse no caminho, o que é urgente acaba por acontecer. E o Trilho dos Pescadores aconteceu. Quatro dias disponíveis, uma vontade, uma urgência. Não havia razão para não acontecer.

O Trilho dos Pescadores faz parte da Rota Vicentina e compreende quatro etapas, quase sempre junto ao mar, entre Porto Covo e Odeceixe.

Rota Vicentina

A rota Vicentina inclui parte do Caminho Histórico, entre o Cabo de S. Vicente e Sines, que é também parte da Rota TransEuropeia que liga Sagres a S. Petersburgo.

Rota Transeuropeia

As duas primeira etapas são duras, com grande parte do percurso feito em areia, mas a compensação não tem fim. Na terceira e quarta etapas surgem praias magníficas e que já estão na memória mas que são vistas agora doutra perspectiva e com outros olhos. A chegada à praia de Odeceixe só poderia ser melhor se nela incluíssemos uma banda sonora. Final apoteótico, como nos filmes.

A alguns dias de distância do fim do Trilho a imagem do Mar não me abandona. A imagem e o cheiro. E a recordação dos banhos na água fria, que até parecia quente, que anulavam o cansaço e recuperavam os músculos para o que ainda havia para andar. E isso ficará para sempre.

Sobre o Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina poderia continuar a dizer tanta coisa. Poderia falar sobre as falésias que vão mudando de cor, as baías, os portos de pesca, as gaivotas, as dunas, as plantas, as camarinhas, os cheiros que enchem a alma de recordações e sobre o Mar que está sempre ali, a indicar o caminho, para que não haja perdas ou enganos. Mas ao fim de 4 dias e quase 80 km só me apetece citar Frédéric Gros (que me foi recentemente introduzido pelo meu querido The Escapist):
“There is a moment when you walk several hours that you are only a body walking. Only that. You are nobody. You have no history. You have no identity. You have no past. You have no future.”

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